O futuro do cultivo é autônomo, independente e coletivo

Mulher cuidando do jardim. A imagem está focada apenas nas suas mãos, com luvas, mexendo no solo.

Não é novidade que nós, seres humanos, estamos cada vez mais urbanos. Também já sabemos que esse movimento prejudica as práticas tradicionais de cultivo, já que estamos perdendo nosso espaço de cultivo para o crescimento das cidades.

Estima-se que, no ano de 2050, 80% da população residirá em centros urbanos. E que essa população vai aumentar em 3 bilhões de pessoas, passando para quase 10 bilhões de seres humanos existentes na Terra. Para alimentar toda essa gente, seria necessário um território 20% maior do que o nosso país apenas para agricultura.

Um problema maior do que imaginamos…

Para entendermos melhor o problema, precisamos entender que hoje, cerca de 80% das terras cultiváveis já estão sendo usadas no mundo todo. E aí, o que fazer?

Além disso, também precisamos levar em conta os problemas da agricultura tradicional: A agricultura ao ar livre é responsável por 70% de todo o uso de água limpa do mundo na forma de irrigação. Requer, também, uma grande quantidade de recursos para remover toda essa água, purificá-la e distribuí-la. Sem mencionar, ainda, os fertilizantes, herbicidas e pesticidas que poluem os ecossistemas dos rios.

Outro grave problema da agricultura tradicional hoje é o transporte de alimentos para consumo nas cidades. É um valor absurdo gasto em gasolina, empacotamento e distribuição desses alimentos. Essa conta, definitivamente, não fecha.

Soluções inovadoras

Para resolver esses problemas, cientistas de todo o mundo estão criando novas soluções para uma agricultura que atenda melhor nossas necessidades. Leia abaixo algumas das soluções que já estão sendo implementadas mundo a fora:

Fazendas Urbanas Planas e Verticais

Para sanar o problema da falta de espaço para cultivo, grandes cidades do mundo estão adotando as fazendas urbanas, espaço de agricultura para toda a comunidade, que produz alimentos nos topos e paredes de prédios, ali na cidade mesmo.

Fazenda Urbana de Paris, França. imagem de divulgação

Inaugurada em 2020, a fazenda urbana de Paris foi batizada de Nature Urbaine, o projeto é realizado no Paris Expo Porte de Versailles – o maior parque de exposições da França. A fazenda urbana fica no topo do prédio, em uma área de 14 mil m². Estima-se que serão produzidas mais de mil frutas e vegetais por dia, de cerca de 20 espécies diferentes. Vinte jardineiros serão responsáveis por cuidar do cultivo, sem usar agrotóxicos ou fertilizantes químicos.

No mesmo ano de 2020, foi inaugurada a fazenda urbana de Bangkok, a maior fazenda urbana da Ásia, situada na Tailândia. A fazenda, além de produzir alimentos para a população, também sana o problema da inundação da cidade, conhecida por ser a “Veneza da Ásia”, que sofre todo ano com alagamentos e enchentes. Com 22 mil m², a fazenda foi construída na Universidade de Thamassad.

Fazenda Urbana de Bangkok, Tailândia. Imagem de divulgação.

A fazenda urbana ajuda a melhorar a qualidade do ar da cidade, reduzir sua temperatura – o chamado ‘efeito ilha de calor’ -, e absorver a água da chuva, além de restaurar a biodiversidade local, ao trazer de volta aves e insetos polinizadores.

Em contra partida, temos uma outra vertente quando falamos de agricultura urbana: A agricultura interna, que utiliza edifícios de vários andares empilhados com contêineres de cultivo e luzes de LED, ao invés de sol e ar livre, que é o caso da Vertical Harvest, uma Fazenda Vertical Urbana ainda em estudo.

Fazenda Urbana em estudo, publicada pela Vertical Harvest

Cultivo Individual e Colaborativo

Uma segunda solução é o cultivo individual indoor, ao invés de grandes fazendas urbanas. Novas empresas têm surgido com novas tecnologias, para que nós possamos cultivar nossa própria horta, dentro de casa.

Startups como a Willo já vem pensando em como cultivar alimentos indoor com fazendas verticais individuais, que podem funcionar em condomínios ou prédios, na mesma tecnologia da Vertical Harvest acima, mas abastecendo apenas a comunidade local.

Outra empresa do setor é a Infarm, que investe na tecnologia individual, criando “mini-fazendas em geladeiras”. A Infarm desenvolve uma fazenda vertical caseira através do conceito de “farming as a service” (fazenda como serviço). O cliente da empresa têm a opção de plano mensal, para cultivar uma fazendinha monitorada, além de receber em casa sementes e adubo em pacotes para cuidar das plantas de acordo com sua necessidade nutricional.

Cultivo Indoor, da empresa Infarm.

Apesar de tantas tecnologias…

Cientistas garantem que essas soluções não serão suficientes para suprir a demanda de alimento mundial. Mas podem ser um paliativo bom, com potencial de fornecer a flexibilidade que precisamos para nos adaptar aos novos tempos.

É preciso enxergar com os olhos do futuro, vislumbrando novos desafios e caminhos que o ser humano precisará seguir para continuarmos aqui.