Correr é tão natural quanto respirar. Os especialistas em evolução da espécie discutem que há muito tempo atrás, o homem caçava para sobreviver e fazia isso correndo atrás da presa. Embora mais rápidos, esses animais não conseguem correr sem interrupção por longas distâncias, pois precisam parar e colocar a língua para fora para perder calor. Nós, por outro lado, intercalamos corrida com caminhada, variamos o ritmo e vamos regulando nossa temperatura corporal através do suor ao longo do caminho, o que nos dá uma bela vantagem em relação à resistência.
Índice
Apesar de correr ser algo intrínseco, a corrida está em alta, todos estão correndo, literalmente. A tendência “fitness” do momento, a que os influenciadores estão apostando seus conteúdos, sai do superficial e nos faz resgatar diversas pautas acerca. Não há dúvidas, as pessoas correm pelos benefícios da atividade física, mas principalmente, pelo “plus” que a corrida proporciona: ocupar os espaços da cidade de maneira interativa, socializar e quem sabe descolar um novo flerte.
A história por trás dos grupos de corrida
Os grupos de corrida são muito antigos, os primeiros registros são do século 19. O grupo que ficou conhecido no mundo, o Thames Hare and Hounds, foi fundado em 1868 em Londres, na Inglaterra, promovendo o esporte como uma atividade social. Ao longo das décadas, isso se espalhou pela Europa e América do Norte.
A corrida também se tornou um fenômeno no Brasil na década dos anos 70, firmando as maratonas no calendário dos principais eventos das grandes cidades. O primeiro boom aconteceu entre as décadas de 1970 e 1980, quando a febre das maratonas internacionais chegou ao país, impulsionada por nomes icônicos do atletismo e pela crescente valorização do esporte. Na época, a corrida ainda era vista como uma prática para poucos, exigindo grande dedicação e preparo físico.
Nos anos 2000, um segundo boom ganhou força, desta vez movido pelo aumento da oferta de provas de rua e os grupos de corrida criando uma cultura de engajamento em torno da modalidade. Agora, nos últimos dois anos, estamos vivendo o que pode ser considerado um terceiro boom da corrida. Diversos fatores explicam esse fenômeno: a busca por reconexão com o corpo e com o ar livre, o crescimento do mercado de running com marcas esportivas apostando em produtos e experiências inovadoras, e o fortalecimento das comunidades de corrida nas redes sociais. O movimento não é apenas individual – há uma forte valorização do coletivo, com grupos de corrida se tornando espaços de troca, motivação e pertencimento.
Por que correr está em alta? Porque gera conexões.
A percepção sobre o estilo de vida ativo está em constante análise e evolução, o Strava, publicou seu Relatório Anual sobre Tendências do Esporte 2024, a pesquisa mostra que as pessoas estão priorizando equilíbrio, treinos mais curtos e períodos de recuperação, mesmo dentro da preparação para maratonas. A ideia de levar o corpo ao limite a qualquer custo vem sendo questionada por uma abordagem mais sustentável, permitindo que os corredores permaneçam ativos por mais tempo, com mais atenção à saúde mental e ao bem-estar.
Outro fator determinante para esse crescimento é a socialização, de acordo com a pesquisa, fazer conexões sociais é o principal motivo para as pessoas se exercitarem – 58% dos entrevistados afirmaram ter feito novos amigos por meio de grupos de corrida. Entre os jovens da Geração Z, quase um em cada cinco, chegou a sair para um encontro com alguém que conheceu por meio da corrida. Um outro fato constatado, é que sair pela manhã para fazer uma trilha, tem se tornado mais popular do que sair à noite na cidade para ir em bares.
Além das conexões interpessoais, o impacto da corrida em grupo se reflete diretamente no desempenho. Atividades como corridas, pedaladas e trilhas realizadas com mais de 10 pessoas apresentaram, em média, uma duração 40% maior do que aquelas feitas individualmente. Isso demonstra que a força do coletivo não só motiva, mas também impulsiona os corredores de forma natural e prazerosa.
Curiosidade: Segundo a pesquisa, as pessoas gostam de correr entre às 18h e 20h da noite.
Pra entender mais do universo dos grupos de corrida, conversamos com dois grupos, no eixo Rio e São Paulo, pra explicar pra gente a importância desse movimento nas ruas.
Ghetto Run Crew: o que é ser um atleta da vida real?
O Ghetto Run Crew permeia nas ruas da cidade do Rio de Janeiro, desde 2013. O grupo, está mais para um movimento filosófico dentro da corrida, algo mais intrínseco, eles questionam: o que é ser um atleta da vida real? Tudo isso através da ferramenta esportiva mais potente, o corpo em movimento. “Correr é tão simples, tão prático, tão potente!”, afirma a crew.
“Era um processo normal que o “bum” chegasse e, não só pela tendência fitness, creio que muito mais pela busca inerente de sermos partes de algo que faça sentido e traga bem-estar.”
Guetto Run Crew para o Blog da Mude
O boom da prática, no ponto de vista da Ghetto, principalmente do quesito dos grupos de corrida, permitiu uma quebra de padrão de como se praticava atividade física: “Ninguém mais fala que vai correr, a galera diz que vai dar um corre. Essa forma de livre pensamento e possibilidades que trouxemos, não só criou um efeito borboleta como motivou mais e mais pessoas. O esporte venceu, né, imaginar que a cada dia nasce algum grupo de corrida, com muito mais influência do que vem da Rua, do que vem das academias, traz um provocativo que realmente mais pessoas se sintam parte de um universo que segrega muito. Até quem é tradicional, do treino forte, mudou o jeito de se comunicar e vestir.”

Foto: I Hate Flash \ Acervo Ghetto Run Crew
No que diz respeito aos romances, a crew explica que é muito natural as conexões tanto de amizade quanto românticas acontecerem, “você está num local que rola uma integração de propósitos”.
A crew se comunica com a comunidade através do instagram (@ghettoruncrew) e para participar das corridas em grupo, é só chamar na DM.
BEEMM: o esporte é de todo mundo e o bem-estar também
O nome vem de “Bem-estar, Equilíbrio e Mente em Movimento” — a ideia veio do Eric Sigaki, atleta profissional e diretor criativo, fundador do movimento. Depois de muitos anos vivendo o esporte de forma super intensa como atleta profissional e hoje, como diretor criativo focado em audiovisual esportivo, ele percebia que faltava um espaço onde o movimento tivesse outro significado. Onde fosse menos sobre performance e mais sobre bem-estar, sobre se sentir bem com o próprio corpo e com quem tá ao redor, explica pro Blog da Mude.
Hoje, a BEEMM promove os encontros em São Paulo e consolidou uma comunidade de verdade, com encontros, trocas e muita gente que se reconhece nesse lugar.

Foto: Acervo BEEMM
O percurso de corrida é planejado antes, tanto pela segurança quanto pela experiência, ocupar certos espaços na cidade de São Paulo, com os corpos em movimento tem um peso. “A gente já correu no Parque Villa Lobos, CT Tietê, no Ibirapuera… São lugares que todo mundo conhece, mas nem sempre se sente à vontade. Então, quando a gente corre junto ali, é como dizer: “esse espaço também é nosso”, explica Eric.
“Quando você vê um monte de gente postando treino, relógio, pace, look esportivo, dá aquela vontade de fazer parte. O lado bom é que isso inspira. O lado ruim é que cria uma nova pressão social. Como se só valesse a pena se você tiver o corpo certo, o tênis certo, o pace certo. E aí muita gente se sente excluída logo de cara. ”
Eric Sigaki sobre a influência das corridas.
Um ponto importante, é que a prática da corrida tem um impacto significativo no comportamento de consumo dos corredores amadores, como os produtos e serviços relacionados à atividade,a dica é para quem quer começar: você não precisa de itens caríssimos para se sentir um atleta, comece com o que for acessível e funcione pra você.
“A BEEMM é o respiro de muita gente que vibra o esporte e o bem-estar pra vida. A gente veio pra criar um espaço onde as pessoas possam ser quem são, se mover do seu jeito, e se sentir bem com isso. A mensagem é simples: o esporte é de todo mundo e o bem-estar também. Precisa só de presença, de escuta, de trocas. Se a gente conseguir manter isso vivo, já vale tudo!”.
O grupo também promove e organiza seus encontros através do Instagram (@beemm_____).
Em alta ou não, correr é algo que está dentro de nós e da Netshoes. Por isso, na Academia Netshoes no Parque Villa Lobos, tem aulas de funcional de corrida gratuitas para quem quer começar a engatar no esporte mas não sabe como, agende pelo app da Mude- Fitness & Yoga e voilá!
